De repente apareceu, num segundo estava lá. De repente a consciência, a percepção. De repente um espelho, e então começou. Nunca mais parou, primeiro as simples, motivo de risos, depois mais complexas, inteligentes, e por fim, as impossíveis. Perguntas sem resposta.
De repente a razão, a negação, a constatação. De repente a desilusão. Sempre mais, e ele cada vez menos, não de repente, mas gradativamente. Nasceu sabendo tudo, e foi desaprendendo pouco a pouco, a cada livro, a cada conversa, a cada pensamento.
Foi afundando, ficando acinzentado, corcunda, repugnante. Não demorou muito para adoecer, lhe faltava a vontade. De repente fraco, de repente debilitado, de repente dependente, de repente uma cama, aconchegante e quente. Noites infinitas de morte, esquecimento, de repente inconsciência.
Conflito, dualidade, suícidio, imortalidade. Curou-se da doença, levantou-se e foi, levando no rosto uma expressão enigmática, misto de amargura com ironía. Desde então vem vivendo de momentos, sustos e surpresas, enganando a sí mesmo o melhor que pode.
domingo, 3 de maio de 2009
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Bunker escuro e morto
Árvores secas e tortas
Tinta descascando
Um camaleão em preto e branco
Eu não estou aqui e isto não está acontecendo
Ruínas de um hotel
Águas trêmulas numa banheira
Uivos esquecidos no vento
Berço caído, chão liso, aço frio
Não deixarei que isto aconteça com minhas crianças
Seco
Dissecado
Empalhado
Eles chupam sangue jovem
Não há chuva para sua arca
Nunca chegaremos à lua
Minha cabeça é um rádio
Apenas retransmitindo
Es.....t.....at.....
...i................
.......c.....a......
...............
Árvores secas e tortas
Tinta descascando
Um camaleão em preto e branco
Eu não estou aqui e isto não está acontecendo
Ruínas de um hotel
Águas trêmulas numa banheira
Uivos esquecidos no vento
Berço caído, chão liso, aço frio
Não deixarei que isto aconteça com minhas crianças
Seco
Dissecado
Empalhado
Eles chupam sangue jovem
Não há chuva para sua arca
Nunca chegaremos à lua
Minha cabeça é um rádio
Apenas retransmitindo
Es.....t.....at.....
...i................
.......c.....a......
...............
terça-feira, 21 de abril de 2009
O Caolho na Terra dos Cegos
Muitos repetem sem pensar, que ele seria um rei. Não poderiam estar mais errados. Na terra dos cegos, não existe pior maldição que ser caolho. Ele, que pretenciosamente julga ter uma percepão mais avançada, lúcida e racional, se encontra completamente sozinho. Para ele existe um mundo de cores, luz e escuridão. Os cegos, ignoram completamente tais fatos. Para eles o mundo é de texturas, sons e cheiros, que o caolho jamais perceberá com a mesma intensidade.
Ele tenta, desesperadamente, fazer com que os cegos entendam sua percepção do mundo. Mas a única coisa que lhes causa, é extrema dor. Não por não verem, algo que é incompreensivel na sua condição. Mas pelo fato de ele mesmo não poder sentir e escutar como eles, aceitar a realidade verdadeira da terra dos cegos.
Ainda assim percebe o caolho, que sua visão é defeituosa, não encherga claramente, tem limitações. Não importa o quanto tente, não consegue ver perfeitamente. Por fim ele constata, para seu desespero,que não existem óculos na terra dos cegos.
Ele tenta, desesperadamente, fazer com que os cegos entendam sua percepção do mundo. Mas a única coisa que lhes causa, é extrema dor. Não por não verem, algo que é incompreensivel na sua condição. Mas pelo fato de ele mesmo não poder sentir e escutar como eles, aceitar a realidade verdadeira da terra dos cegos.
Ainda assim percebe o caolho, que sua visão é defeituosa, não encherga claramente, tem limitações. Não importa o quanto tente, não consegue ver perfeitamente. Por fim ele constata, para seu desespero,que não existem óculos na terra dos cegos.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Escuridão
Eu quero a escuridão
A densa massa negra
Que aguarda ansiosa
Por iluminação
Eu quero a virgindade
Intelectual e sensorial
Eu quero a idealização
O romantismo
Eu quero o medo
A incerteza
Eu quero expectativas
Descobertas
Esta penumbra me angustía
Quero de volta, o completo breu
A cegueira
Os passos vacilantes
Eu quero a esperança
De que amanhã sera melhor
Não este conformismo
De que não há sentido
Eu quero uma noite negra
Com pontos respingados
Ou nuvens fantasmas
Uma noite que me faça sonhar
A densa massa negra
Que aguarda ansiosa
Por iluminação
Eu quero a virgindade
Intelectual e sensorial
Eu quero a idealização
O romantismo
Eu quero o medo
A incerteza
Eu quero expectativas
Descobertas
Esta penumbra me angustía
Quero de volta, o completo breu
A cegueira
Os passos vacilantes
Eu quero a esperança
De que amanhã sera melhor
Não este conformismo
De que não há sentido
Eu quero uma noite negra
Com pontos respingados
Ou nuvens fantasmas
Uma noite que me faça sonhar
domingo, 15 de março de 2009
Durante a Madrugada
Na madrugada de um dia passivo
Minha existência se confronta
Os entulhos se amontoam
Com sonhos destruídos
A tristeza esperada
De uma alma solitária
Que se eleva momentaneamente
Para depois cair mais fundo
Todos os bons momentos
Que me trouxeram felicidade
Cobram agora sua taxa
Na mesma intensidade
Este é preço da ilusão
O que é o real?
Sou eu mesmo que estou aqui,
Carregando esta vida inútil?
Não responda!
Você não sabe de nada
Nem eu mesmo sei
Sei só que não me encaixo
O que vou fazer?
Para onde vou?
Agora vou até a janela
Respirar fundo e voar
Aproveitar o momento
De falsa liberdade
Antes que me prendam
Me amarrem e me tragam de volta
As amarras são de arame farpado
Já lutei em pânico e fúria
Inútil! Só me feri
Estou domado, não posso mais fugir
Minha existência se confronta
Os entulhos se amontoam
Com sonhos destruídos
A tristeza esperada
De uma alma solitária
Que se eleva momentaneamente
Para depois cair mais fundo
Todos os bons momentos
Que me trouxeram felicidade
Cobram agora sua taxa
Na mesma intensidade
Este é preço da ilusão
O que é o real?
Sou eu mesmo que estou aqui,
Carregando esta vida inútil?
Não responda!
Você não sabe de nada
Nem eu mesmo sei
Sei só que não me encaixo
O que vou fazer?
Para onde vou?
Agora vou até a janela
Respirar fundo e voar
Aproveitar o momento
De falsa liberdade
Antes que me prendam
Me amarrem e me tragam de volta
As amarras são de arame farpado
Já lutei em pânico e fúria
Inútil! Só me feri
Estou domado, não posso mais fugir
sexta-feira, 6 de março de 2009
Paixões
Conheci muitos apaixonados
Por mulheres
Por idéias
Por dinheiro
Por prazeres
Todos determinados, absortos, cegos
Felizes em suas alienações, afirmados em suas razões
O sentido não existe, e minha única paixão
Encontro na retórica desta afirmação
No seu decorrer ela mesma perde a coerência
É a mesma satisfação da demência
Um circulo infinito
Um redemoinho
Que me suga pelo ralo
E me joga no vazio
Onde não há verdade
Nem mentira
Nem extase
Nem agonia
Apenas a consciência da ilusão
Ilusão que não diferencia um faminto desnutrido de um intelectual deprimido
Um prato de comida ou uma constatação genial, o resultado é o mesmo:
Satisfação
Nisso se resumem as paixões
Hedonismo
Mascarado, quase imperceptível
Até na submissão à espectativas
E em atitudes altruístas
Mas eu não consigo, prefiro ser um descrente fodido, que um alienado entretido
Há ! Até parece ! Garçon me vê mais uma cerveja, que a cabeça tá começando a fluir...
Por mulheres
Por idéias
Por dinheiro
Por prazeres
Todos determinados, absortos, cegos
Felizes em suas alienações, afirmados em suas razões
O sentido não existe, e minha única paixão
Encontro na retórica desta afirmação
No seu decorrer ela mesma perde a coerência
É a mesma satisfação da demência
Um circulo infinito
Um redemoinho
Que me suga pelo ralo
E me joga no vazio
Onde não há verdade
Nem mentira
Nem extase
Nem agonia
Apenas a consciência da ilusão
Ilusão que não diferencia um faminto desnutrido de um intelectual deprimido
Um prato de comida ou uma constatação genial, o resultado é o mesmo:
Satisfação
Nisso se resumem as paixões
Hedonismo
Mascarado, quase imperceptível
Até na submissão à espectativas
E em atitudes altruístas
Mas eu não consigo, prefiro ser um descrente fodido, que um alienado entretido
Há ! Até parece ! Garçon me vê mais uma cerveja, que a cabeça tá começando a fluir...
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Planeta Eu
Sou composto de muitas depressões
Florestas densas e monções
De vez em quando um vulcão num copo de cachaça
Ou uma chapada num papo camarada
Quando olho de cima
Numa auto-análise crítica
Tais nuances são inexpressivas
Devaneios inúteis de uma mente primitiva
Vivemos em função de nossas angústias
Tão absortos não percebemos
Sem exceção, são todas fúteis
Não importa quanto eu teorize
Não há nada que me tire
O medo ante um penhasco
E o prazer de um vento frio
Os rios ferozes esculpirão meus vales
Suas águas constituirão minhas tempestades
No final dos ciclos, elas mesmas que me castigaram
Regarão meus renascimentos em novas fases
Assim anda a vida no planeta Eu
Florestas densas e monções
De vez em quando um vulcão num copo de cachaça
Ou uma chapada num papo camarada
Quando olho de cima
Numa auto-análise crítica
Tais nuances são inexpressivas
Devaneios inúteis de uma mente primitiva
Vivemos em função de nossas angústias
Tão absortos não percebemos
Sem exceção, são todas fúteis
Não importa quanto eu teorize
Não há nada que me tire
O medo ante um penhasco
E o prazer de um vento frio
Os rios ferozes esculpirão meus vales
Suas águas constituirão minhas tempestades
No final dos ciclos, elas mesmas que me castigaram
Regarão meus renascimentos em novas fases
Assim anda a vida no planeta Eu
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