terça-feira, 12 de maio de 2009

Lembranças da infância

A psicodelía original
Tudo pela primeira vez
Imagens desconexas
Cores intensas

Via o mundo do alto
Cavalgando o velho dragão
Que baforava seu hálito quente
Arrastando sua barriga pelo mato alto da estrada

Espadas luminosas cortavam as nuvens
Fincando-se no chão de amarelo, verde e marrom
Vou me sentar aqui, me deu vontade
Nessa casa podre de madeira, com suas panelas de ferro

Pode ir, eu sou corajoso
Posso correr sem me cansar
Morro acima em direção a gigante araucária
Onde o vento me traz mensagens distantes

Socorro, tem uma serpente em minha mente
Fique comigo agora que está escuro
Me conte dos bugios que rondam a floresta
Enquanto eu durmo ao som dos grilos e dos sapos

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Banalidades Sobre Vivência

- Faltou 1 real
- Hã ? (cara de estranheza enquanto vasculhava os bolsos em busca das moedas faltantes, previamente contadas)
- Faltou 1 real, é 4 e 25 (cara de sarcasmo de não fumante filha da puta)
- Puta que pariu, caralho, políticos desgraçados, IPI da porra!!! (isto tudo em pensamento) – Não, obrigado... (na face estampadas as ofensas pensadas).

É foda... (não costumo escrever muitos palavrões nos meus textos, mas este evento me abalou, afinal, é questão de sobrevivência). Não fumantes muito felizes e contentes com a desgraça alheia. “Que maravilha” gritam extasiados enquando dão seus pulinhos de satisfação. (devaneios exagerados, eu sei, mas precisava satirizar estes sádicos).

Veio a crise, demissões, desespero, falta de demanda, falta de dinheiro. Enquanto isto na sala da justiça, nossos políticos pensavam como solucionar tais problemas. Já sei, gritou Mantega, vamos diminuir o IPI dos carros! O rombo agente cobre aumentando o dos cigarros. (Afinal, caos urbano e aquecimento global são pouca bobagem). Todos concordaram, com exceção de Lula, que preocupado com suas cigarrilhas resmungou em sua cadeira.

Agora eu terei que pagar para que outros joguem mais fumaça, façam mais barulho e quase me atropelem quando estiver caminhando por aí (ok, pensamento simplório). Mas pensando bem, porque eu, que mato somente a mim mesmo, tenho que pagar a conta? Por que não diminuir os salários absurdos de políticos e fiscais, e regular melhor os gastor públicos? Ora, quem vai se fazer estas perguntas quando existe o bode expiatório perfeito, os malditos fumantes, seres não humanos, sem direitos.

Ah claro, a saúde pública, ótimo, quem é que vai parar de fumar por causa do preço? Ou paga mais, ou compra do Paraguai, ou compra fumo de rolo e enrola em casa, mas parar acho difícil. Política de arrecadação de fundos perfeita, explorar o vício alheio, vai ter gente comendo pior para poder comprar o cigarro, afinal, segundo Huxley os gastos com tabaco e alcool são maiores do que os com comida. Na China foi o contrário, pelo escandalo que gerou, a lei já caiu, mas o consumo de determinada quantia de cigarros foi imposta aos funcionários públicos na província de Hubei, lá o cigarro é monopólio do governo. Enfim, saúde pública de cú é rola, o que importa é a saúde econômica, ou melhor, saúde econômica dos poderosos, acionistas e governantes.

De qualquer forma em 15 anos, quando estiver pagando 20 reais na carteira vou lembrar-me de hoje com saudades, o tempo que o cigarro era só 4 e 25.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Estou seco,

As últimas gotas de umidade foram evaporadas por meu cigarro amargo, meus labios queimados não são capazes nem de sentir seu beijo. Meu peito se comprime, meus pulmões dóem, meu coração não mais bate, meus olhos não tem mais brilho.

Estou seco.

Não posso verter uma lagrima sequer. A escuridão está tão densa, que absorveu meu ser, transformou-o em uma massa viscosa, preta como petróleo, pesada como chumbo. Tão densa, criou gravidade, me engole aos poucos como um buraco negro. Preciso apenas de uma lágrima, para me libertar, uma lágrima ácida que corroa minha angústia.

Estou seco.

domingo, 3 de maio de 2009

De repente apareceu, num segundo estava lá. De repente a consciência, a percepção. De repente um espelho, e então começou. Nunca mais parou, primeiro as simples, motivo de risos, depois mais complexas, inteligentes, e por fim, as impossíveis. Perguntas sem resposta.

De repente a razão, a negação, a constatação. De repente a desilusão. Sempre mais, e ele cada vez menos, não de repente, mas gradativamente. Nasceu sabendo tudo, e foi desaprendendo pouco a pouco, a cada livro, a cada conversa, a cada pensamento.

Foi afundando, ficando acinzentado, corcunda, repugnante. Não demorou muito para adoecer, lhe faltava a vontade. De repente fraco, de repente debilitado, de repente dependente, de repente uma cama, aconchegante e quente. Noites infinitas de morte, esquecimento, de repente inconsciência.

Conflito, dualidade, suícidio, imortalidade. Curou-se da doença, levantou-se e foi, levando no rosto uma expressão enigmática, misto de amargura com ironía. Desde então vem vivendo de momentos, sustos e surpresas, enganando a sí mesmo o melhor que pode.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Bunker escuro e morto
Árvores secas e tortas
Tinta descascando
Um camaleão em preto e branco

Eu não estou aqui e isto não está acontecendo

Ruínas de um hotel
Águas trêmulas numa banheira
Uivos esquecidos no vento
Berço caído, chão liso, aço frio

Não deixarei que isto aconteça com minhas crianças

Seco
Dissecado
Empalhado

Eles chupam sangue jovem

Não há chuva para sua arca
Nunca chegaremos à lua

Minha cabeça é um rádio
Apenas retransmitindo

Es.....t.....at.....
...i................
.......c.....a......
...............

terça-feira, 21 de abril de 2009

O Caolho na Terra dos Cegos

Muitos repetem sem pensar, que ele seria um rei. Não poderiam estar mais errados. Na terra dos cegos, não existe pior maldição que ser caolho. Ele, que pretenciosamente julga ter uma percepão mais avançada, lúcida e racional, se encontra completamente sozinho. Para ele existe um mundo de cores, luz e escuridão. Os cegos, ignoram completamente tais fatos. Para eles o mundo é de texturas, sons e cheiros, que o caolho jamais perceberá com a mesma intensidade.

Ele tenta, desesperadamente, fazer com que os cegos entendam sua percepção do mundo. Mas a única coisa que lhes causa, é extrema dor. Não por não verem, algo que é incompreensivel na sua condição. Mas pelo fato de ele mesmo não poder sentir e escutar como eles, aceitar a realidade verdadeira da terra dos cegos.

Ainda assim percebe o caolho, que sua visão é defeituosa, não encherga claramente, tem limitações. Não importa o quanto tente, não consegue ver perfeitamente. Por fim ele constata, para seu desespero,que não existem óculos na terra dos cegos.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Escuridão

Eu quero a escuridão
A densa massa negra
Que aguarda ansiosa
Por iluminação

Eu quero a virgindade
Intelectual e sensorial
Eu quero a idealização
O romantismo

Eu quero o medo
A incerteza
Eu quero expectativas
Descobertas

Esta penumbra me angustía
Quero de volta, o completo breu
A cegueira
Os passos vacilantes

Eu quero a esperança
De que amanhã sera melhor
Não este conformismo
De que não há sentido

Eu quero uma noite negra
Com pontos respingados
Ou nuvens fantasmas
Uma noite que me faça sonhar