O inferno são os outros, os outros são os diferentes, os inferiores, os perigosos. Nós somos os poderosos, os dominantes, os abastados. Nós tememos os outros.
A contínua luta de classes, classes que se dividem em razão de fatores econômicos, políticos, sociais e religiosos. Luta de classes que é parte inerente do que chamamos de sociedade.
A população se espreme cada vez mais no espaço urbano, empulera-se em edificios enormes. Aperta-se em espaços reduzidos. Aninha-se em seus buracos e não os deixa enquanto não houver necessidade, é muito perigoso lá fora.
Quem tem chance escapa, deixa de viver em uma toca elevada para se guarnecer dentro de uma fortaleza coletiva. Criam seu mundinho particular onde não há violência nem inconvenientes. Vindos do outro lado do muro ou do noticiário, ecos de tiros e gritos.
Os muros antes invisíveis, porém bem conhecidos, tornam-se físicos. Nós tememomos os outros, então nada mais lógico do que nos trancarmos em prisões particulares. Do conforto de nossa cela, esbravejamos cegos contra o muro de Israel / Palestina ou dos EUA / México.
Aos ecos de tiros somam-se agora o de explosões, mas que se foda, aqui dentro está confortável. Espere, que sangue é esse que escorre rua adentro? Vai nos contagiar! Que absurdo, tomemos uma providência. Assembléia, votação. A solução? Brutamontes vestidos de preto com adoráveis caveiras sinistras à adornar seus quepes.
Mudar por que? Se tem por quê não tem como. E assim a máquina vai girando. Dinheiro, é tudo por dinheiro.
terça-feira, 30 de junho de 2009
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Quem somos nós?
Esta extensão do ocidente, resultado do espírito aventureiro, da exploração, da miscigenação. Somos, europeus, africanos, asiáticos, índios...
Conformados religiosos? Religiosos conformados?
Originais? Ou moldados à matriz dos ideais estrangeiros?
Sob uma bandeira nacional, se extende uma massa desigual.
Quem sou eu entre nós?
Viajante das idéias, das conversas, da música. Construíndo e destruíndo o ser, em busca de uma identidade própria, singular. Rejeitando os hinos e as ideologias. Buscando uma vida aprazível.
O nós se faz necessário, na aprovação e no questionamento, o nós também sou eu.
Nós é ao mesmo tempo o mundo e a sala. E eu, estou inserido nos dois.
Esta extensão do ocidente, resultado do espírito aventureiro, da exploração, da miscigenação. Somos, europeus, africanos, asiáticos, índios...
Conformados religiosos? Religiosos conformados?
Originais? Ou moldados à matriz dos ideais estrangeiros?
Sob uma bandeira nacional, se extende uma massa desigual.
Quem sou eu entre nós?
Viajante das idéias, das conversas, da música. Construíndo e destruíndo o ser, em busca de uma identidade própria, singular. Rejeitando os hinos e as ideologias. Buscando uma vida aprazível.
O nós se faz necessário, na aprovação e no questionamento, o nós também sou eu.
Nós é ao mesmo tempo o mundo e a sala. E eu, estou inserido nos dois.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
O lamento desesperado de aviões apressados
As linhas que se cruzam no tempo e no espaço
Destinos ignorados pela rotina impensada
Acaso que guia vidas sem compasso
Quem foi que se perdeu?
Deixou de existir no pensamento
Já faz tanto tempo
Nem na memória o alento
Amnésia? Desatenção
A vida sem coração
Não pulsa
Não sente
Espera dormente
Por algo que lhe aqueça
Passivo, idiota
Não merece nem esmola
Levanta, corre, explode
Que por vias abandonadas
O sangue há de fluir
As linhas que se cruzam no tempo e no espaço
Destinos ignorados pela rotina impensada
Acaso que guia vidas sem compasso
Quem foi que se perdeu?
Deixou de existir no pensamento
Já faz tanto tempo
Nem na memória o alento
Amnésia? Desatenção
A vida sem coração
Não pulsa
Não sente
Espera dormente
Por algo que lhe aqueça
Passivo, idiota
Não merece nem esmola
Levanta, corre, explode
Que por vias abandonadas
O sangue há de fluir
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Saber
Quanto mais se sabe
Mais se sabe
Que não se sabe de nada
Sabe?
Não sabe do que eu sei
Que eu sei que sabia
Que eu sei que não sei mais
Agora só sei que quero saber
Pra saber que nada se sabe
Mas que preciso saber
Só pra poder me entreter
Mais se sabe
Que não se sabe de nada
Sabe?
Não sabe do que eu sei
Que eu sei que sabia
Que eu sei que não sei mais
Agora só sei que quero saber
Pra saber que nada se sabe
Mas que preciso saber
Só pra poder me entreter
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Novamente olhos ao chão e fumaça à boca, dessa vez estático. Observava os ladrilhos e as folhas secas abaixo dos meus pés. Gradativamente fui me aconchegando ao ambiente, a fumaça, sempre presente, dava a atmosfera contemplativa, e eu fitava apenas o pequeno espaço abaixo de mim.
Suavemente, através dos olhos embaçados, percebi uma tímida movimentação. Pequenos pontos pretos piscavam aqui e lá aleatoriamente. Forcei um pouco a visão para voltar ao mundo real das imagens e constatei sem surpresa que formigas seguiam seu caminho alheias à minha presença.
Seres mínimos, orientadas pelo rastro deixado por outros de sua espécie, para mim pareciam estupidamente perdidas. Carregando fardos enormes sem realmente saber o por quê. Imaginei uma interação no seu mundo particular, bagunçar sua orientação esfregando tabaco em seu caminho. Com certeza tal fenômeno sería catastrófico em seu pequeno mundo. Vagariam tontas em busca da via perdida, sem largar o seu fardo, a espera que uma semelhante lhes conduzisse na direção correta. Completariam sua tarefa e a repetiriam novamente.
Que seres idiotas, pensei. De um lado para o outro sem parar, sem pensar, sempre a ignorar e continuar, que vida miserável! Num suspiro de piedade levantei os olhos e observei o meu redor, vi passando por mim homens, de um lado para o outro, sem parar, sem pensar, sempre a ignorar e continuar.
Suavemente, através dos olhos embaçados, percebi uma tímida movimentação. Pequenos pontos pretos piscavam aqui e lá aleatoriamente. Forcei um pouco a visão para voltar ao mundo real das imagens e constatei sem surpresa que formigas seguiam seu caminho alheias à minha presença.
Seres mínimos, orientadas pelo rastro deixado por outros de sua espécie, para mim pareciam estupidamente perdidas. Carregando fardos enormes sem realmente saber o por quê. Imaginei uma interação no seu mundo particular, bagunçar sua orientação esfregando tabaco em seu caminho. Com certeza tal fenômeno sería catastrófico em seu pequeno mundo. Vagariam tontas em busca da via perdida, sem largar o seu fardo, a espera que uma semelhante lhes conduzisse na direção correta. Completariam sua tarefa e a repetiriam novamente.
Que seres idiotas, pensei. De um lado para o outro sem parar, sem pensar, sempre a ignorar e continuar, que vida miserável! Num suspiro de piedade levantei os olhos e observei o meu redor, vi passando por mim homens, de um lado para o outro, sem parar, sem pensar, sempre a ignorar e continuar.
sábado, 16 de maio de 2009
Expressão, Impressão, Redenção
Nesta questão metafísica
Não há verdade nem mentira
Ao que o autor expressou
O jovem garoto suicidou
Veja só que ironia
O escritor preservou sua vida
Não há verdade nem mentira
Ao que o autor expressou
O jovem garoto suicidou
Veja só que ironia
O escritor preservou sua vida
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Vasculho a memória, em busca do que me falta, sensação de esquecimento. Num dos bolsos trago a música, noutro o vício. O que mais eu preciso? Todos os dias é igual, eu chego ao final e a dúvida permanece. Verifico compulsivamente as trivialidades. Necessidade de simplificar. Quem dera pudesse encontrar, por acaso atrás do sofá, aquilo que não sei o que é.
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