Estavam todos por alí, sentados na grama, sorrindo enquanto os últimos raios de sol acariciavam suas peles brancas, desacostumadas com a presença do astro. Uma celebração ao bom tempo, já que não temos mais colheita nem para quem agradecer. Alguns tinham os olhos amenos da tranquilidade, outros mal os mostravam de tanto que riam, outros fitavam apenas as mãos do violeiro, que jogava ao ar melodias de paz.
Muitos eram os que chegavam, alguns juntavam-se ao grupo a cantar, outros só olhavam de longe, com feições divertidas de quem está gostando do espetáculo mas tem vergonha de ser ator. Tanto dentro quanto fora, tinha gente que se importava com besteiras e gente que não se importava com nada. Eu só me importava em observar, ignorando os preconceitos. Que venham todas as línguas, todas as culturas, que venham novas pessoas, novos mundos.
Distraído com toda a festa não percebi, uma nova figura se aproximou. Jovem, alto, cabelo e barba encaracolados, na boca um sorriso tímido, seus olhos castanhos perdiam-se no horizonte, cheios de esperança, sem mágoa nem rancor, completamente honestos. Por alguns segundos não soube o que pensar, podia ter a roupa suja e o aspecto indigente, mas não tinha amargura. Era melhor do que muitos alí.
Uma guria levantou-se chamando-o pelo nome: Raul! Na face estampada a alegria e a satisfação de encontrar alguém querido. Expressão acentuada por sua bela maquiagem e cabelo vermelho curto. Deu-lhe um breve abraço e olhou-o nos olhos ainda sorrindo. Enquanto perguntava como estavam as coisas alcançou-lhe uma garrafa. Os dois desceram um pequeno morro conversando e não ví para onde foram, na minha mente estava estampada a face de Raul, seus olhos inocentes e sonhadores, felizes.
Muitos poderíam dizer que ele era apenas um louco e ela uma excêntrica. Mas eu percebi a verdade naqueles olhares, percebi a autenticidade. No mesmo día presenciei estupidez e ódio, fiquei a me perguntar: quem eram de fato os loucos?
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
A Vida (Como conduzi-la, ou como não)
Conselhos com relação à forma que se deve conduzir a vida são completamente inúteis e consequentemente devem ser desconsiderados por aqueles que pretendem ser fiéis a sí mesmos e suas escolhas.
Supondo que ninguém se encontra satisfeito com sua condição atual, almejando tornar-se diferente do que é no momento, na eterna sensação de insatisfação e ambição, os conselhos de qualquer pessoa são reflexos de frustrações ou vontades. Ao seguir conselhos o ser torna-se parecido com a imagem criada pelo conselheiro, alcançando uma condição sonhada por este, que por não ser real e muito menos embasada na consciência do aconselhado tem uma probabilidade mínima de ser eficaz.
A única forma sensata de se tomar decisões na busca de resultados aprazíveis é a desconsideração de conselhos e fórmulas pré-estabelecidas. O ser deve analisar tanto experiências quanto pensamentos alheios, e através do questionamento elaborar suas próprias verdades, provadas por meio da experiência própria. Cada ser é único, percebe o mundo de forma diferente, reage ao mesmo distintamente. Dois mais dois pode perfeitamente ser cinco.
Supondo que ninguém se encontra satisfeito com sua condição atual, almejando tornar-se diferente do que é no momento, na eterna sensação de insatisfação e ambição, os conselhos de qualquer pessoa são reflexos de frustrações ou vontades. Ao seguir conselhos o ser torna-se parecido com a imagem criada pelo conselheiro, alcançando uma condição sonhada por este, que por não ser real e muito menos embasada na consciência do aconselhado tem uma probabilidade mínima de ser eficaz.
A única forma sensata de se tomar decisões na busca de resultados aprazíveis é a desconsideração de conselhos e fórmulas pré-estabelecidas. O ser deve analisar tanto experiências quanto pensamentos alheios, e através do questionamento elaborar suas próprias verdades, provadas por meio da experiência própria. Cada ser é único, percebe o mundo de forma diferente, reage ao mesmo distintamente. Dois mais dois pode perfeitamente ser cinco.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Sob o Luar
Que beleza andar por estas ruas tortas
Tropeçar nestas lajotas
Cair nessas vidas alheias
Compartilhar som e cervejas
Que beleza sentar na calçada
Desta via pouco movimentada
Te escutar falar da amada
Ou qualquer coisa pra dar risada
Que beleza tragar este cigarro
Depois deste blues improvisado
Que mesmo sem sentido nem rima
Pra mim é obra prima
Que beleza escutar este violão, esta gaita
Essas vozes, batuques e palmas
Este chocalho que me quebra o galho
Já que não toco instrumento, mas conheço o tempo
Que beleza esta noite gelada
Esta noite honesta e largada
Estas vidas despreocupadas
Que se cruzam, curtem e partem
Que pena que se esqueceram de marcar
Outro lugar e hora pra se encontrar
Agora já é tarde, só resta sonhar
Com aquela bela noite sob o luar
Tropeçar nestas lajotas
Cair nessas vidas alheias
Compartilhar som e cervejas
Que beleza sentar na calçada
Desta via pouco movimentada
Te escutar falar da amada
Ou qualquer coisa pra dar risada
Que beleza tragar este cigarro
Depois deste blues improvisado
Que mesmo sem sentido nem rima
Pra mim é obra prima
Que beleza escutar este violão, esta gaita
Essas vozes, batuques e palmas
Este chocalho que me quebra o galho
Já que não toco instrumento, mas conheço o tempo
Que beleza esta noite gelada
Esta noite honesta e largada
Estas vidas despreocupadas
Que se cruzam, curtem e partem
Que pena que se esqueceram de marcar
Outro lugar e hora pra se encontrar
Agora já é tarde, só resta sonhar
Com aquela bela noite sob o luar
terça-feira, 21 de julho de 2009
Por que o ser humano pós-moderno encontra-se tão frequentemente imerso em tristeza? Será realmente uma característica exclusivamente pós-moderna? Talvez apenas surgiu uma nova roupagem para esta sensação inerente à consciência.
A felicidade, como a fantasiamos, se daria pela satisfação dos desejos do ego, pela conquista das liberdades individuais. Que em sua maioría tornam-se impossíveis devido à organização da vida em sociedade. Das normas, regulamentações e principalmente do respeito. Assim nos limitamos.
Para substituir as ansias instintivas/animalescas, criamos novos conceitos de realização e consequente felicidade. Todas associadas à máquina social, ao reconhecimento, falsas em sua essência, essenciais à manutenção da sociedade.
Se neste ambito é impossível vislumbrar saída (estamos presos à sociedade), me parece que devemos buscar a satisfação na simplicidade, não negar o impulso. Como me aconteceu neste final de semana, dar um abraço ébrio numa pessoa desconhecida que surgiu aleatóriamente e ocupou alguns longos instantes da minha vida. Depois rir-se disso sem se preocupar com o que pudesse ter parecido, sabendo apenas que foi honesto e verdadeiro.
Me disseram que felicidade não é felicidade se não for compartilhada, realmente, não há melhor maneira de se sentir feliz do que fazer outros felizes, há, aqui estou eu novamente, no egoísmo do altruísmo. Mas desta vez eu consegui me enganar muito bem, acho que aprendi esta mentira como verdade, e ainda acredito nela.
A felicidade, como a fantasiamos, se daria pela satisfação dos desejos do ego, pela conquista das liberdades individuais. Que em sua maioría tornam-se impossíveis devido à organização da vida em sociedade. Das normas, regulamentações e principalmente do respeito. Assim nos limitamos.
Para substituir as ansias instintivas/animalescas, criamos novos conceitos de realização e consequente felicidade. Todas associadas à máquina social, ao reconhecimento, falsas em sua essência, essenciais à manutenção da sociedade.
Se neste ambito é impossível vislumbrar saída (estamos presos à sociedade), me parece que devemos buscar a satisfação na simplicidade, não negar o impulso. Como me aconteceu neste final de semana, dar um abraço ébrio numa pessoa desconhecida que surgiu aleatóriamente e ocupou alguns longos instantes da minha vida. Depois rir-se disso sem se preocupar com o que pudesse ter parecido, sabendo apenas que foi honesto e verdadeiro.
Me disseram que felicidade não é felicidade se não for compartilhada, realmente, não há melhor maneira de se sentir feliz do que fazer outros felizes, há, aqui estou eu novamente, no egoísmo do altruísmo. Mas desta vez eu consegui me enganar muito bem, acho que aprendi esta mentira como verdade, e ainda acredito nela.
domingo, 5 de julho de 2009
Sobre a consciência, a tristeza e o stress
Diz-se que o ignorante é mais feliz.
Não sei se é uma verdade, porém creio que ele seja menos infeliz. Normalmente associa-se a ignorância às classes sociais inferiores, parte disso deve-se ao fato das pessoas pertencentes a elas serem menos conscientes. Na condição de extrema pobreza o individuo sofre de desnutrição, o que gera uma incapacidade de pensamento elaborado, a preocupação se resume a fome. Já em classes operárias acontece a exaustão da condição física por meio do trabalho pesado. Ao final do dia a única preocupação é com o descanso.
O ser dito inteligente não sente-se satisfeito em permanecer inerte, necessita se expandir. Gasta sua energia com o intelecto. Estuda, lê, informa-se, por consequência torna-se mais consciente. Desta consciência surge inevitavelmente a tristeza. O ser percebe a condição do mundo que o cerca e de sí mesmo, a falta de coerência, a podridão, a inutilidade e a inercia. Percebe sua condição de incapacidade, sente-se como um doente que sofre uma operação sobre o efeito de uma anestesia que não lhe priva dos sentidos mas o priva da capacidade de ação, sente a navalha a lhe cortar mas não é capaz de fazer nada para parar o processo.
Daí surge o stress, ocasionado pelo peso dos problemas tanto exteriores quanto interiores. A consciência sobrecarrega o ser ao ponto do mesmo não mais suportar. Em razão da não exteriorização por meio da ação, impossível devido a massificação da ignorância, o stress se acumula até o ponto em que não é mais possível ser contido, o resultado é o colapso nervoso. Sem motivo aparente o ser explode, em raiva, carência e insanidade.
Excluíndo-se o suicídio a solução seríam doses ocasionais de alienação, de Soma. Infelizmente após o efeito a consciência retorna, ainda mais forte, o próprio Soma torna-se ineficaz. O ser consciente não consegue enganar-se.
Parece que a inteligência, resultado da evolução, tornou-se conflitante com a própria evolução. Talvez a inteligência, da forma que a apresento, não seja realmente inteligência, pelo menos no ponto de vista evolutivo. Quanto mais consciênte torna-se o ser, mais ele percebe como é imbecil e limitado.
Minha cabeça não pára de girar e se remoer. Tudo contitui um circulo vicioso, um eterno retorno, de onde me é impossível escapar.
Não sei se é uma verdade, porém creio que ele seja menos infeliz. Normalmente associa-se a ignorância às classes sociais inferiores, parte disso deve-se ao fato das pessoas pertencentes a elas serem menos conscientes. Na condição de extrema pobreza o individuo sofre de desnutrição, o que gera uma incapacidade de pensamento elaborado, a preocupação se resume a fome. Já em classes operárias acontece a exaustão da condição física por meio do trabalho pesado. Ao final do dia a única preocupação é com o descanso.
O ser dito inteligente não sente-se satisfeito em permanecer inerte, necessita se expandir. Gasta sua energia com o intelecto. Estuda, lê, informa-se, por consequência torna-se mais consciente. Desta consciência surge inevitavelmente a tristeza. O ser percebe a condição do mundo que o cerca e de sí mesmo, a falta de coerência, a podridão, a inutilidade e a inercia. Percebe sua condição de incapacidade, sente-se como um doente que sofre uma operação sobre o efeito de uma anestesia que não lhe priva dos sentidos mas o priva da capacidade de ação, sente a navalha a lhe cortar mas não é capaz de fazer nada para parar o processo.
Daí surge o stress, ocasionado pelo peso dos problemas tanto exteriores quanto interiores. A consciência sobrecarrega o ser ao ponto do mesmo não mais suportar. Em razão da não exteriorização por meio da ação, impossível devido a massificação da ignorância, o stress se acumula até o ponto em que não é mais possível ser contido, o resultado é o colapso nervoso. Sem motivo aparente o ser explode, em raiva, carência e insanidade.
Excluíndo-se o suicídio a solução seríam doses ocasionais de alienação, de Soma. Infelizmente após o efeito a consciência retorna, ainda mais forte, o próprio Soma torna-se ineficaz. O ser consciente não consegue enganar-se.
Parece que a inteligência, resultado da evolução, tornou-se conflitante com a própria evolução. Talvez a inteligência, da forma que a apresento, não seja realmente inteligência, pelo menos no ponto de vista evolutivo. Quanto mais consciênte torna-se o ser, mais ele percebe como é imbecil e limitado.
Minha cabeça não pára de girar e se remoer. Tudo contitui um circulo vicioso, um eterno retorno, de onde me é impossível escapar.
terça-feira, 30 de junho de 2009
Medo, segregação e imobilidade
O inferno são os outros, os outros são os diferentes, os inferiores, os perigosos. Nós somos os poderosos, os dominantes, os abastados. Nós tememos os outros.
A contínua luta de classes, classes que se dividem em razão de fatores econômicos, políticos, sociais e religiosos. Luta de classes que é parte inerente do que chamamos de sociedade.
A população se espreme cada vez mais no espaço urbano, empulera-se em edificios enormes. Aperta-se em espaços reduzidos. Aninha-se em seus buracos e não os deixa enquanto não houver necessidade, é muito perigoso lá fora.
Quem tem chance escapa, deixa de viver em uma toca elevada para se guarnecer dentro de uma fortaleza coletiva. Criam seu mundinho particular onde não há violência nem inconvenientes. Vindos do outro lado do muro ou do noticiário, ecos de tiros e gritos.
Os muros antes invisíveis, porém bem conhecidos, tornam-se físicos. Nós tememomos os outros, então nada mais lógico do que nos trancarmos em prisões particulares. Do conforto de nossa cela, esbravejamos cegos contra o muro de Israel / Palestina ou dos EUA / México.
Aos ecos de tiros somam-se agora o de explosões, mas que se foda, aqui dentro está confortável. Espere, que sangue é esse que escorre rua adentro? Vai nos contagiar! Que absurdo, tomemos uma providência. Assembléia, votação. A solução? Brutamontes vestidos de preto com adoráveis caveiras sinistras à adornar seus quepes.
Mudar por que? Se tem por quê não tem como. E assim a máquina vai girando. Dinheiro, é tudo por dinheiro.
A contínua luta de classes, classes que se dividem em razão de fatores econômicos, políticos, sociais e religiosos. Luta de classes que é parte inerente do que chamamos de sociedade.
A população se espreme cada vez mais no espaço urbano, empulera-se em edificios enormes. Aperta-se em espaços reduzidos. Aninha-se em seus buracos e não os deixa enquanto não houver necessidade, é muito perigoso lá fora.
Quem tem chance escapa, deixa de viver em uma toca elevada para se guarnecer dentro de uma fortaleza coletiva. Criam seu mundinho particular onde não há violência nem inconvenientes. Vindos do outro lado do muro ou do noticiário, ecos de tiros e gritos.
Os muros antes invisíveis, porém bem conhecidos, tornam-se físicos. Nós tememomos os outros, então nada mais lógico do que nos trancarmos em prisões particulares. Do conforto de nossa cela, esbravejamos cegos contra o muro de Israel / Palestina ou dos EUA / México.
Aos ecos de tiros somam-se agora o de explosões, mas que se foda, aqui dentro está confortável. Espere, que sangue é esse que escorre rua adentro? Vai nos contagiar! Que absurdo, tomemos uma providência. Assembléia, votação. A solução? Brutamontes vestidos de preto com adoráveis caveiras sinistras à adornar seus quepes.
Mudar por que? Se tem por quê não tem como. E assim a máquina vai girando. Dinheiro, é tudo por dinheiro.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Quem somos nós?
Esta extensão do ocidente, resultado do espírito aventureiro, da exploração, da miscigenação. Somos, europeus, africanos, asiáticos, índios...
Conformados religiosos? Religiosos conformados?
Originais? Ou moldados à matriz dos ideais estrangeiros?
Sob uma bandeira nacional, se extende uma massa desigual.
Quem sou eu entre nós?
Viajante das idéias, das conversas, da música. Construíndo e destruíndo o ser, em busca de uma identidade própria, singular. Rejeitando os hinos e as ideologias. Buscando uma vida aprazível.
O nós se faz necessário, na aprovação e no questionamento, o nós também sou eu.
Nós é ao mesmo tempo o mundo e a sala. E eu, estou inserido nos dois.
Esta extensão do ocidente, resultado do espírito aventureiro, da exploração, da miscigenação. Somos, europeus, africanos, asiáticos, índios...
Conformados religiosos? Religiosos conformados?
Originais? Ou moldados à matriz dos ideais estrangeiros?
Sob uma bandeira nacional, se extende uma massa desigual.
Quem sou eu entre nós?
Viajante das idéias, das conversas, da música. Construíndo e destruíndo o ser, em busca de uma identidade própria, singular. Rejeitando os hinos e as ideologias. Buscando uma vida aprazível.
O nós se faz necessário, na aprovação e no questionamento, o nós também sou eu.
Nós é ao mesmo tempo o mundo e a sala. E eu, estou inserido nos dois.
Assinar:
Postagens (Atom)