Sou composto de muitas depressões
Florestas densas e monções
De vez em quando um vulcão num copo de cachaça
Ou uma chapada num papo camarada
Quando olho de cima
Numa auto-análise crítica
Tais nuances são inexpressivas
Devaneios inúteis de uma mente primitiva
Vivemos em função de nossas angústias
Tão absortos não percebemos
Sem exceção, são todas fúteis
Não importa quanto eu teorize
Não há nada que me tire
O medo ante um penhasco
E o prazer de um vento frio
Os rios ferozes esculpirão meus vales
Suas águas constituirão minhas tempestades
No final dos ciclos, elas mesmas que me castigaram
Regarão meus renascimentos em novas fases
Assim anda a vida no planeta Eu
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Ressentimento
Era um domingo de tarde, cheio de ebriedade, no aconchego da amizade sincera, amizade que escancara todas as portas e janelas, que com o passar dos anos derruba todos os muros, nos faz expor o peito na inocência e felicidade da verdadeira camaradagem. Amizade que nos faz confiar cegamente, segredos, angustias e até a vida.
Bobagens e risadas se seguiam, sorrisos abertos e acordes incertos. Um papo frenético, no ritmo de um romance beatnik, os rolos de papel das nossas ideias sendo devoradas pela máquina de escrever da nossa língua. De repente num descuido, num faiscar estúpido, me descontrolei, e toda a podridão vociferei numa resposta impensada.
Foi então que eu desabei, todo o resto se borrou e apenas podia ver sua face, como que num quarto escuro a me fitar, nos seus olhos mergulhei, na expressão de dor, de traição, de desilusão. Mergulhei no infinito, e lá saboreei o gosto amargo do arrependimento. Naquele milésimo de segundo percebi uma eternidade, o tempo parou para me castigar, havia ferido seu peito aberto para um amigo, e meu coração era penetrado por mil agulhas. Tudo foi tão rápido que não tive nem tempo de desfazer o sorriso idiota que tinha no rosto.
Assim que voltei a mim, desviei constrangido o olhar. Alguém fez um comentário alheio a situação e o tempo continuou na sua cadência natural. As risadas voltaram a encher o ar, nada foi comentado nem demonstrado, afinal era uma coisa boba, imperceptivel, apenas nossos subconscientes entenderam, escondendo o ressentimento bem fundo em algum canto escuro no fim sem saída de um dos labirintos de nossas mentes.
É exatamente nestes cantos escuros que vamos nos perder nos momentos de desespero, são esses ressentimentos que nos fazem dar o impulso suicída ou construir com tijolos maciços e arame farpado, o muro.
Quem me dera poder voltar àquele momento, para ficar calado, não ter hoje que carregar este fardo, lembrar daquela expressão que me assombra. O perdão não adianta, o que está feito está feito. Só espero que você nunca passe por perto deste canto escuro, que ele fique bem esquecido, escondendo o que não deveria ter sido proferido.
Bobagens e risadas se seguiam, sorrisos abertos e acordes incertos. Um papo frenético, no ritmo de um romance beatnik, os rolos de papel das nossas ideias sendo devoradas pela máquina de escrever da nossa língua. De repente num descuido, num faiscar estúpido, me descontrolei, e toda a podridão vociferei numa resposta impensada.
Foi então que eu desabei, todo o resto se borrou e apenas podia ver sua face, como que num quarto escuro a me fitar, nos seus olhos mergulhei, na expressão de dor, de traição, de desilusão. Mergulhei no infinito, e lá saboreei o gosto amargo do arrependimento. Naquele milésimo de segundo percebi uma eternidade, o tempo parou para me castigar, havia ferido seu peito aberto para um amigo, e meu coração era penetrado por mil agulhas. Tudo foi tão rápido que não tive nem tempo de desfazer o sorriso idiota que tinha no rosto.
Assim que voltei a mim, desviei constrangido o olhar. Alguém fez um comentário alheio a situação e o tempo continuou na sua cadência natural. As risadas voltaram a encher o ar, nada foi comentado nem demonstrado, afinal era uma coisa boba, imperceptivel, apenas nossos subconscientes entenderam, escondendo o ressentimento bem fundo em algum canto escuro no fim sem saída de um dos labirintos de nossas mentes.
É exatamente nestes cantos escuros que vamos nos perder nos momentos de desespero, são esses ressentimentos que nos fazem dar o impulso suicída ou construir com tijolos maciços e arame farpado, o muro.
Quem me dera poder voltar àquele momento, para ficar calado, não ter hoje que carregar este fardo, lembrar daquela expressão que me assombra. O perdão não adianta, o que está feito está feito. Só espero que você nunca passe por perto deste canto escuro, que ele fique bem esquecido, escondendo o que não deveria ter sido proferido.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Revolução Pessoal
Estude
Trabalhe
Compre um carro
Case
Compre um apartamento
Tenha filhos
Tenha netos
Morra
Vá para o céu
Assim que aprendi a entender as palavras, fui bombardeado com milhares de regras, conceitos, tradições e verdades absolutas. Minha mente de criança não foi capaz de filtrar tudo que me era vomitado. Primeiro os pais, depois o pastor, a televisão, a escola. Sem capacidade de questionamento engoli tudo e aceitei cegamente. Tinha fé para mover montanhas, mas elas não se moviam. Mesmo assim o padrão era mais forte, ridicularizava os diferentes, não aceitava outros pensamentos, me irritava com quem discordava da verdade.
Veio a adolescência, hormônios em turbulência, dúvidas crescentes, rebeldia inerente. Mandei tudo à merda, não tinha alternativas, mas tudo que tinha aceitado até então não podia ser verdade, logo nos primeiros questionamentos tudo desabou, não podia mais viver sob aquelas mentiras. Desta revolta não se criou nada de imediato, apenas negação. O processo de quebra dos paradigmas foi lento e difícil, muitos medos me foram impostos, muitas explicações fáceis apresentadas, tudo massificado, incontestável, absoluto. Opor-se ao poder consolidado e fortalecido só leva à derrota. Esta aceitei, me entreguei a danação, já podia ouvir as sirenes da policia do karma.
O corpo cresceu e a mente amadureceu, muitas idéias trocadas, muitas páginas folheadas, muitas experiências vividas, muitas pessoas conhecidas. Cada vez mais questionamentos surgiam, mais temas a serem discutidos, mais inconformismos, cada vez mais inquietação. Aprendi que quanto mais se procura menos se sabe, quanto mais se estuda menos se entende, quanto mais se critica mais dúvidas surgem. A renúncia de paradigmas não resulta necessariamente na criação de outros...
...neste vazio ideológico tenho vivido.
Trabalhe
Compre um carro
Case
Compre um apartamento
Tenha filhos
Tenha netos
Morra
Vá para o céu
Assim que aprendi a entender as palavras, fui bombardeado com milhares de regras, conceitos, tradições e verdades absolutas. Minha mente de criança não foi capaz de filtrar tudo que me era vomitado. Primeiro os pais, depois o pastor, a televisão, a escola. Sem capacidade de questionamento engoli tudo e aceitei cegamente. Tinha fé para mover montanhas, mas elas não se moviam. Mesmo assim o padrão era mais forte, ridicularizava os diferentes, não aceitava outros pensamentos, me irritava com quem discordava da verdade.
Veio a adolescência, hormônios em turbulência, dúvidas crescentes, rebeldia inerente. Mandei tudo à merda, não tinha alternativas, mas tudo que tinha aceitado até então não podia ser verdade, logo nos primeiros questionamentos tudo desabou, não podia mais viver sob aquelas mentiras. Desta revolta não se criou nada de imediato, apenas negação. O processo de quebra dos paradigmas foi lento e difícil, muitos medos me foram impostos, muitas explicações fáceis apresentadas, tudo massificado, incontestável, absoluto. Opor-se ao poder consolidado e fortalecido só leva à derrota. Esta aceitei, me entreguei a danação, já podia ouvir as sirenes da policia do karma.
O corpo cresceu e a mente amadureceu, muitas idéias trocadas, muitas páginas folheadas, muitas experiências vividas, muitas pessoas conhecidas. Cada vez mais questionamentos surgiam, mais temas a serem discutidos, mais inconformismos, cada vez mais inquietação. Aprendi que quanto mais se procura menos se sabe, quanto mais se estuda menos se entende, quanto mais se critica mais dúvidas surgem. A renúncia de paradigmas não resulta necessariamente na criação de outros...
...neste vazio ideológico tenho vivido.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Rua Sem Saída
Olhos ao chão
Fumaça à boca
Cabelos ao vento
Frio, desalento
Escuras ruas de paranóia
Desespero conformado
Angustia contida
Grito afogado
Afundando em meio aos prédios
Insignificante ser revoltado
Sonhos aniquilados, coração destroçado
Solitário niilista amaldiçoado
Fugir ou se entregar ?
Morrer ou se alienar ?
O acaso há de se encarregar
Fumaça à boca
Cabelos ao vento
Frio, desalento
Escuras ruas de paranóia
Desespero conformado
Angustia contida
Grito afogado
Afundando em meio aos prédios
Insignificante ser revoltado
Sonhos aniquilados, coração destroçado
Solitário niilista amaldiçoado
Fugir ou se entregar ?
Morrer ou se alienar ?
O acaso há de se encarregar
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Reflexos do Por do Sol
Ao som da tropicália
Louca, harmoniosa e hipnotizante
Percebo a paisagem se alterar pela minha janela
Não vejo o sol mas sei que ele se despede
Uma profusão de cores me surpreende
Como que pela primeira vez as vejo
A cidade inspira os últimos raios de luz
Enquanto as sombras escalam as paredes do lado oposto
De amarelo como ouro o mundo se ilumina
E não posso fazer nada além de contemplar
Lentamente tudo se transforma em vermelho
Num ultimo lamento deste dia
Que morre para amanhã ressuscitar
Mais alguns minutos e o lilás cobre o céu
Azul celeste ao fundo, roxo nas nuvens e nas paredes
Lentamente os ventos sopram
E as grandes caravelas brancas navegam
Lá em baixo os faróis se acendem
Os homens indiferentes andam apressados
A noite se aproxima com sua atmosfera monocromática
E uma obra de arte sem moldura é ignorada
Louca, harmoniosa e hipnotizante
Percebo a paisagem se alterar pela minha janela
Não vejo o sol mas sei que ele se despede
Uma profusão de cores me surpreende
Como que pela primeira vez as vejo
A cidade inspira os últimos raios de luz
Enquanto as sombras escalam as paredes do lado oposto
De amarelo como ouro o mundo se ilumina
E não posso fazer nada além de contemplar
Lentamente tudo se transforma em vermelho
Num ultimo lamento deste dia
Que morre para amanhã ressuscitar
Mais alguns minutos e o lilás cobre o céu
Azul celeste ao fundo, roxo nas nuvens e nas paredes
Lentamente os ventos sopram
E as grandes caravelas brancas navegam
Lá em baixo os faróis se acendem
Os homens indiferentes andam apressados
A noite se aproxima com sua atmosfera monocromática
E uma obra de arte sem moldura é ignorada
domingo, 30 de novembro de 2008
Um vinho na praça
Um vinho na praça
Do lado um comparça
Em meio as risadas
O barulho da água
Ao cair da chuva
O coração se machuca
Na lembrança que ficou
O tempo que passou
Nas colunas me abriguei
Numa porta me encostei
Mais um gole e uma tragada
Mais uma frase jogada
Pra frente companheiro
Não deixe o passado te prender
Cada um tem os seus meios
Sobre outro ninguém tem poder
Do lado um comparça
Em meio as risadas
O barulho da água
Ao cair da chuva
O coração se machuca
Na lembrança que ficou
O tempo que passou
Nas colunas me abriguei
Numa porta me encostei
Mais um gole e uma tragada
Mais uma frase jogada
Pra frente companheiro
Não deixe o passado te prender
Cada um tem os seus meios
Sobre outro ninguém tem poder
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Mente Inerte
O tempo que antes me faltava e era desculpa para toda a minha inutilidade agora está sobrando. As noites agora estão livres e tenho tempo para usar como bem entender. Pois bem, as conseqüências diretas seguem abaixo:
Morbidez
Marasmo
Desespero
Tédio
Talvez esteja acostumado a não ter tempo pra parar e pensar, vivo nesta correria pós-moderna infernal, sempre uma voz falando, um telefone tocando, uma luz piscando, um zumbido irritando. Me acostumei a não viver, apenas sobreviver, dia após dia nesta maldita rotina, e de repente quando me deparo comigo mesmo no silencio do meu quarto, não encontro nada. Na tentativa de provar para mim mesmo que tenho alguma essência me ponho a escrever, após várias tentativas frustradas desisto. Fumando um cigarro na janela e olhando a cidade a se aquietar na escuridão, nem mesmo a velha tristeza me acompanha. É tudo apenas desesperança e cegueira. Será que me entreguei? Envelheci? Deixei de ser para apenas estar?
Por isso é que lhe peço, conte-me seus sonhos, diga-me o que tens feito, por onde tens andado, quem tens amado e quem tens odiado, me fale sobre o que te alegra e o que te entristece, quais são suas ansiedades e suas conquistas.
Conte-me tudo, me distraia por um minuto, pois não há mais sopro em minha alma e eu apenas flutuo inerte neste mar imundo.
Morbidez
Marasmo
Desespero
Tédio
Talvez esteja acostumado a não ter tempo pra parar e pensar, vivo nesta correria pós-moderna infernal, sempre uma voz falando, um telefone tocando, uma luz piscando, um zumbido irritando. Me acostumei a não viver, apenas sobreviver, dia após dia nesta maldita rotina, e de repente quando me deparo comigo mesmo no silencio do meu quarto, não encontro nada. Na tentativa de provar para mim mesmo que tenho alguma essência me ponho a escrever, após várias tentativas frustradas desisto. Fumando um cigarro na janela e olhando a cidade a se aquietar na escuridão, nem mesmo a velha tristeza me acompanha. É tudo apenas desesperança e cegueira. Será que me entreguei? Envelheci? Deixei de ser para apenas estar?
Por isso é que lhe peço, conte-me seus sonhos, diga-me o que tens feito, por onde tens andado, quem tens amado e quem tens odiado, me fale sobre o que te alegra e o que te entristece, quais são suas ansiedades e suas conquistas.
Conte-me tudo, me distraia por um minuto, pois não há mais sopro em minha alma e eu apenas flutuo inerte neste mar imundo.
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