O pugilista tropeçou e caiu quase desacordado, pendurou-se nas cordas num dos cantos do ringue equilibrando-se o melhor que podia, não queria se ajoelhar. Milhares de flashes disparados em sua direção fizeram com que seus olhos já bastante inchados perdessem-se naquela confusão de imagens. Sua cabeça girava e os sentidos começaram a falhar. Seu corpo debilitado começou a tremer, gradativamente cessou a consciência.
Nunca quis lutar, detestava violência, era um típico perdedor, aceitava tudo calado. No ambiente marginal em que fora obrigado a viver não conseguia se criar. As dívidas foram aumentando e a primeira oportunidade de levantar um dinheiro ele aceitou. Ser saco de pancada numa luta clandestina, eles sempre precisavam de carne moída.
Escutou ecos abafados de uma voz, abriu com esforço os olhos e alí na sua frente estava ele mesmo, sua própria imagem, jogou-lhe uma tijela de água da cara e após alguns tapas gritou: - Vamos lá camarada! Levanta seu fraco! Vai desistir agora? – Não conseguia acreditar nas suas próprías palavras, mas não teve tempo de pensar, um som agudo lhe interrompeu.
A campaínha surgiu dentro de sua mente e foi aumentando rapidamente trazendo junto todo o barulho da platéia. Levantou-se e atirou-se contra o adversário. Este já preparado desferiu um jab emendado de um gancho bem encaixado, o que soou como uma batida de automóvel contra um muro precedida de um atropelamento.
A multidão gritava extasiada, alguns clamavam por sangue, alguns cuspiam, outros gargalhavam, seus olhos esbugalhavam-se e seus dentes cerravam-se em apreensão e expectativas.
O perdedor acuado e humilhado recuou até encostar-se nas cordas, onde permaneceu aguardando o próximo movimento. As gargalhadas e o escarnio foram aumentando e penetrando sua mente atordoada, a pequena massa alí reunida personificava-se num odiável homem gordo, que devorava outros pequenos, afogava-se em sua risada e arrotava os pedaços que lhe engasgavam.
Não aguentou, no primeiro sinal de aproximação do adversário jogou-se sobre ele insanamente e mordeu-lhe o nariz ferozmente, arrancando com força um grande pedaço. Todo o estardalhaço cessou imediatamente, o silêncio reinou absoluto, podiam-se ouvir as gotas de sangue a cair no chão empoerado como timpanos tocados com toda a força.
O momento de transe surreal em que todos se encontravam foi interrompido pelo gemido entrecortado por sons guturais da vítima que agora se arrastava pelo ringue. Como em uma tempestade repentina, milhares de acusações trovejaram. Dedos impiedosos acusavam e bocas deformadas condenavam. Subitamente dois brutamontes agarraram o agressor e o arrastaram pela porta dos fundos.
Dele não mais se ouviu, nem mesmo toda sua fúria lhe privou do anonimato típico dos perdedores.
terça-feira, 18 de maio de 2010
Caminhante Diurno
Olhar distante, expressão taciturna
Andar bambo por sobre lagos etéreos
Pensamento habitado por apenas uma
Enquanto dele desviam multidões
Soturno, quase moribundo
Por um sentimento tão dúbio
Anseia num céu de chumbo
O azul de seu largo sorriso
Caminha, pois a rua é sua única companhia
Ela, a mesma que há de levar sua querida
Compartilha os passos desolados da despedida
E vê, escancarada ferida, que não tarda a sangrar
Andar bambo por sobre lagos etéreos
Pensamento habitado por apenas uma
Enquanto dele desviam multidões
Soturno, quase moribundo
Por um sentimento tão dúbio
Anseia num céu de chumbo
O azul de seu largo sorriso
Caminha, pois a rua é sua única companhia
Ela, a mesma que há de levar sua querida
Compartilha os passos desolados da despedida
E vê, escancarada ferida, que não tarda a sangrar
domingo, 21 de março de 2010
Um Tango Argentino
Ombros colados pelas alamedas
Tremo como os viciados jogados na calçada
O calor febril e o suor frio
Tornam meus passos vacilantes
Os goles fartos de álcool
Recorrentes, constantes
Disfarçam a agonia com euforia
Porém por pouco tempo
Então
Toca logo este tango argentino meu amigo
Quero bailar com a morte
E rir de suas ironias sussurradas em meu ouvido
Tremo como os viciados jogados na calçada
O calor febril e o suor frio
Tornam meus passos vacilantes
Os goles fartos de álcool
Recorrentes, constantes
Disfarçam a agonia com euforia
Porém por pouco tempo
Então
Toca logo este tango argentino meu amigo
Quero bailar com a morte
E rir de suas ironias sussurradas em meu ouvido
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Ego
Vem correndo
Fugindo da penumbra do anonimato
Mostrando um sorriso prostituído
Buscando luz num olhar admirador
Se interesse não é mostrado
Desdobra-se em piruetas
Basta um olhar interrogador
Para vomitar sua existência banal
Grita, salta, esperneia
Pendura-se no mais alto mastro
Exibe-se para todos
Que o ignoram
Aqui!
Macaco!
Tome sua banana
E enfie-a no cú!
Fugindo da penumbra do anonimato
Mostrando um sorriso prostituído
Buscando luz num olhar admirador
Se interesse não é mostrado
Desdobra-se em piruetas
Basta um olhar interrogador
Para vomitar sua existência banal
Grita, salta, esperneia
Pendura-se no mais alto mastro
Exibe-se para todos
Que o ignoram
Aqui!
Macaco!
Tome sua banana
E enfie-a no cú!
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Grilhões auto-impostos
Seres alados não são destinados a caminhar,
Porém afundam-se em lamaçais por influência das multidões rastejantes.
E suas asas,
Encharcadas de lodo,
Tornam a caminhada ainda mais penosa.
Porém afundam-se em lamaçais por influência das multidões rastejantes.
E suas asas,
Encharcadas de lodo,
Tornam a caminhada ainda mais penosa.
sábado, 30 de janeiro de 2010
Desespero Nostálgico (encontrado num antigo baú digital)
Era um Sábado de tarde, lá pelas 5 horas, o clima estava ameno, pelo menos para ele, que gostava de tempo frio, os calafrios na espinha gerados por correntes repentinas eram uma das poucas coisas que faziam com que se sentisse vivo. De baixo a cima um raio pulsante de energia sensitiva, logo em seguida um chacoalhar de ombros e um gemido trêmulo de satisfação.
Desligou o computador e abriu sua gaveta de vinis, acariciou-os um a um até achar The Pros and Cons of Hitch Hiking, olhou um pouco para a capa e lembrou-se de On the Road, a loira e tentadora liberdade, vestida de vermelho ao lado de sua estrada, só esperando que ele parasse e a convidasse para entrar em sua vida. Tirou o disco cuidadosamente, uma soprada e encaixou-o lentamente no prato, depois o botão para começar as 33 rotações por minuto e finalmente a agulha, posicionada precisamente,lift down e pronto, chiados, estalos, um trovão e a música começava a se impor.
Suspirou profundamente e pegou um cigarro da carteira em cima da mesa, se ajeitou em sua poltrona e acendeu-o. Deu a primeira tragada, longa, como sempre a melhor, soltou a fumaça lentamente, uma nuvem densa de prazer mórbido. A música ia evoluindo, se misturando ao ar esfumaçado, que fugia sorrateiramente pela fresta aberta da janela. Esfregou os olhos com o polegar e o indicador, mais um suspiro e se revirou inquieto.
Puta que pariu, pensou, Puta Que Pariu, sussurou, PUTA QUE PARIU, gritou enfurecido. Levantou rápido e esbarrou no toca discos, um estrondo e então um “AAArrrggghhh!!!” característico de Roger Waters.
Andou até a janela e abriu-a por completo, se debruçou sobre ela e com os olhos fechados e a cabeça baixa deu mais uma tragada com toda a força, começou a tossir, e se misturando à tosse começou um riso compulsivo, como que num auto-sarcasmo dos mais cruéis. Jogou fora o cigarro e sentou-se no chão, de costas para a parede, com os joelhos dobrados, ainda com sua risada psicótica.
- Estou enlouquecendo! Estou pirando! Estou atolado nesta merda! – sussurou atônito.
Com um estrondo a porta foi arrombada e o apartamento violentamente invadido. Não pensou duas vezes, pulou pela janela do sétimo andar.
Desligou o computador e abriu sua gaveta de vinis, acariciou-os um a um até achar The Pros and Cons of Hitch Hiking, olhou um pouco para a capa e lembrou-se de On the Road, a loira e tentadora liberdade, vestida de vermelho ao lado de sua estrada, só esperando que ele parasse e a convidasse para entrar em sua vida. Tirou o disco cuidadosamente, uma soprada e encaixou-o lentamente no prato, depois o botão para começar as 33 rotações por minuto e finalmente a agulha, posicionada precisamente,lift down e pronto, chiados, estalos, um trovão e a música começava a se impor.
Suspirou profundamente e pegou um cigarro da carteira em cima da mesa, se ajeitou em sua poltrona e acendeu-o. Deu a primeira tragada, longa, como sempre a melhor, soltou a fumaça lentamente, uma nuvem densa de prazer mórbido. A música ia evoluindo, se misturando ao ar esfumaçado, que fugia sorrateiramente pela fresta aberta da janela. Esfregou os olhos com o polegar e o indicador, mais um suspiro e se revirou inquieto.
Puta que pariu, pensou, Puta Que Pariu, sussurou, PUTA QUE PARIU, gritou enfurecido. Levantou rápido e esbarrou no toca discos, um estrondo e então um “AAArrrggghhh!!!” característico de Roger Waters.
Andou até a janela e abriu-a por completo, se debruçou sobre ela e com os olhos fechados e a cabeça baixa deu mais uma tragada com toda a força, começou a tossir, e se misturando à tosse começou um riso compulsivo, como que num auto-sarcasmo dos mais cruéis. Jogou fora o cigarro e sentou-se no chão, de costas para a parede, com os joelhos dobrados, ainda com sua risada psicótica.
- Estou enlouquecendo! Estou pirando! Estou atolado nesta merda! – sussurou atônito.
Com um estrondo a porta foi arrombada e o apartamento violentamente invadido. Não pensou duas vezes, pulou pela janela do sétimo andar.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Desabo moribundo no sofá, aguardando pela morte de uma vida dentre tantas que enfrentei e enfrentarei. Escuto palavras de ordem, palavras que me tocam, que me questionam a inércia, que me questionam as razões. E eu não tenho resposta, não sei se de outra forma teria. Não acho direção, e os sinais eu sei são todos falsos. Mas nem mesmo na degradação destes eu acho sentido. Então te encontro por aí, pra me entorpecer, e depois eu me pergunto, é só isso que nos resta? É só isso que nos resta?
sábado, 10 de outubro de 2009
Num final de tarde, sábado, ensolarado porém agradavelmente frio, vaguei por diversas ruas na tentativa de buscar o inesperado. Passei por arvores e calçadas espanholas, onde pessoas sentavam-se no chão aguçando os sentidos auditivos e visuais para curtir o som e a imagem da música e dos camaradas. Continuei a vagar percebendo que hoje ali não era o meu lugar. Ruas silenciosas, onde jornais esvoaçantes me cumprimentavam na ausência de pessoas. Passei pelo centro velho, com seus decadentes edifícios e putas, sorrisos corroídos pela chuva ácida e narizes furados e agonizantes de cocaína. Grupos de pseudo-hipsters de boutique passavam com sua vulgaridade característica enquanto eu seguia meu caminho inconscientemente guiado às velhas lembranças. Acabei no banco da praça, da velha praça comprida e esmagada entre dois prédios que remetem ao clássico e ao moderno, numa eterna luta de estilos. Você chegou simultaneamente, logo estávamos ali, só nós dois, nos curtindo a frente do chafariz que evocava um gêiser constante em sua coluna caótica de água que nunca repete os movimentos dançantes na infinidade de possibilidades sonhadoras. A nossa volta casais e famílias passeavam devagar, comendo pipoca ou fazendo poses ridículas para fotos que só serviam de pretexto para mais um beijo cego de paixão. Crianças corriam e emitiam seus gritinhos de satisfação enquanto brincavam com balões, cãezinhos e pombos que executavam sua rotina de sobrevivência comendo as migalhas que velhos aposentados jogavam a sua volta, na esperança que alguém, mesmo que fosse apenas um animal pestilento, lhes desse atenção. Eu acariciava seu corpo delicado, puramente branco, enquanto você me olhava com a boca delicadamente entreaberta. Acendi um cigarro e vimos a fumaça misteriosamente se erguer esguia no ar na mesma freqüência que a água escorria pelas arestas do cimento pintado de amarelo. Não demorou muito para o beijo acontecer, doce, me enchendo de prazer, me rejuvenescendo, tornando minha vida mais aprazível. Curtimos mais uns momentos daquele transe e de repente você ficou amarga, como me rejeitando. Apareceu um sujeito estranho, ávido por te possuir, não vacilei em te entregar, e você também não demonstrou repulsa nem ressentimento, partiu com outro sem se despedir. Não importa, muitas outras eu encontrarei, e jogarei fora quando tiver sugado tudo que tiverem para me dar, deixando-as secas em alguma lata de lixo.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Para Burroughs
Espasmos borbulhantes sulfurosos de liberdade explodem dentro do peito apertado de pseudo-melancolia advinda das correntes do comodismo barato. Um misterioso sorriso de gato se abre ao ler os conselhos duros, porém carinhosos do viajante da América do Sul em cut-ups alucinados de consciência expandida nos rituais indígenas e quartos bolorentos de hotéis baratos, presenciados por espectros com faces de caveira envoltos em serpentes coloridas recitando poemas sobre a morte com vozes bestiais de espíritos da floresta. A mente se excita e o corpo se energiza com sonhos loucos correndo a milhão por vias que se contraem em abstinência aguardando pelo orgasmo atômico de destruição para a auto-fecundação e nascimento de um novo ser, mutante. Onde estás? Não me escreves mais. Partirei em jornada pelos labirintos até encontrar-te em mim, plenamente iluminado.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Domingo a tarde II (Raul)
Estavam todos por alí, sentados na grama, sorrindo enquanto os últimos raios de sol acariciavam suas peles brancas, desacostumadas com a presença do astro. Uma celebração ao bom tempo, já que não temos mais colheita nem para quem agradecer. Alguns tinham os olhos amenos da tranquilidade, outros mal os mostravam de tanto que riam, outros fitavam apenas as mãos do violeiro, que jogava ao ar melodias de paz.
Muitos eram os que chegavam, alguns juntavam-se ao grupo a cantar, outros só olhavam de longe, com feições divertidas de quem está gostando do espetáculo mas tem vergonha de ser ator. Tanto dentro quanto fora, tinha gente que se importava com besteiras e gente que não se importava com nada. Eu só me importava em observar, ignorando os preconceitos. Que venham todas as línguas, todas as culturas, que venham novas pessoas, novos mundos.
Distraído com toda a festa não percebi, uma nova figura se aproximou. Jovem, alto, cabelo e barba encaracolados, na boca um sorriso tímido, seus olhos castanhos perdiam-se no horizonte, cheios de esperança, sem mágoa nem rancor, completamente honestos. Por alguns segundos não soube o que pensar, podia ter a roupa suja e o aspecto indigente, mas não tinha amargura. Era melhor do que muitos alí.
Uma guria levantou-se chamando-o pelo nome: Raul! Na face estampada a alegria e a satisfação de encontrar alguém querido. Expressão acentuada por sua bela maquiagem e cabelo vermelho curto. Deu-lhe um breve abraço e olhou-o nos olhos ainda sorrindo. Enquanto perguntava como estavam as coisas alcançou-lhe uma garrafa. Os dois desceram um pequeno morro conversando e não ví para onde foram, na minha mente estava estampada a face de Raul, seus olhos inocentes e sonhadores, felizes.
Muitos poderíam dizer que ele era apenas um louco e ela uma excêntrica. Mas eu percebi a verdade naqueles olhares, percebi a autenticidade. No mesmo día presenciei estupidez e ódio, fiquei a me perguntar: quem eram de fato os loucos?
Muitos eram os que chegavam, alguns juntavam-se ao grupo a cantar, outros só olhavam de longe, com feições divertidas de quem está gostando do espetáculo mas tem vergonha de ser ator. Tanto dentro quanto fora, tinha gente que se importava com besteiras e gente que não se importava com nada. Eu só me importava em observar, ignorando os preconceitos. Que venham todas as línguas, todas as culturas, que venham novas pessoas, novos mundos.
Distraído com toda a festa não percebi, uma nova figura se aproximou. Jovem, alto, cabelo e barba encaracolados, na boca um sorriso tímido, seus olhos castanhos perdiam-se no horizonte, cheios de esperança, sem mágoa nem rancor, completamente honestos. Por alguns segundos não soube o que pensar, podia ter a roupa suja e o aspecto indigente, mas não tinha amargura. Era melhor do que muitos alí.
Uma guria levantou-se chamando-o pelo nome: Raul! Na face estampada a alegria e a satisfação de encontrar alguém querido. Expressão acentuada por sua bela maquiagem e cabelo vermelho curto. Deu-lhe um breve abraço e olhou-o nos olhos ainda sorrindo. Enquanto perguntava como estavam as coisas alcançou-lhe uma garrafa. Os dois desceram um pequeno morro conversando e não ví para onde foram, na minha mente estava estampada a face de Raul, seus olhos inocentes e sonhadores, felizes.
Muitos poderíam dizer que ele era apenas um louco e ela uma excêntrica. Mas eu percebi a verdade naqueles olhares, percebi a autenticidade. No mesmo día presenciei estupidez e ódio, fiquei a me perguntar: quem eram de fato os loucos?
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
A Vida (Como conduzi-la, ou como não)
Conselhos com relação à forma que se deve conduzir a vida são completamente inúteis e consequentemente devem ser desconsiderados por aqueles que pretendem ser fiéis a sí mesmos e suas escolhas.
Supondo que ninguém se encontra satisfeito com sua condição atual, almejando tornar-se diferente do que é no momento, na eterna sensação de insatisfação e ambição, os conselhos de qualquer pessoa são reflexos de frustrações ou vontades. Ao seguir conselhos o ser torna-se parecido com a imagem criada pelo conselheiro, alcançando uma condição sonhada por este, que por não ser real e muito menos embasada na consciência do aconselhado tem uma probabilidade mínima de ser eficaz.
A única forma sensata de se tomar decisões na busca de resultados aprazíveis é a desconsideração de conselhos e fórmulas pré-estabelecidas. O ser deve analisar tanto experiências quanto pensamentos alheios, e através do questionamento elaborar suas próprias verdades, provadas por meio da experiência própria. Cada ser é único, percebe o mundo de forma diferente, reage ao mesmo distintamente. Dois mais dois pode perfeitamente ser cinco.
Supondo que ninguém se encontra satisfeito com sua condição atual, almejando tornar-se diferente do que é no momento, na eterna sensação de insatisfação e ambição, os conselhos de qualquer pessoa são reflexos de frustrações ou vontades. Ao seguir conselhos o ser torna-se parecido com a imagem criada pelo conselheiro, alcançando uma condição sonhada por este, que por não ser real e muito menos embasada na consciência do aconselhado tem uma probabilidade mínima de ser eficaz.
A única forma sensata de se tomar decisões na busca de resultados aprazíveis é a desconsideração de conselhos e fórmulas pré-estabelecidas. O ser deve analisar tanto experiências quanto pensamentos alheios, e através do questionamento elaborar suas próprias verdades, provadas por meio da experiência própria. Cada ser é único, percebe o mundo de forma diferente, reage ao mesmo distintamente. Dois mais dois pode perfeitamente ser cinco.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Sob o Luar
Que beleza andar por estas ruas tortas
Tropeçar nestas lajotas
Cair nessas vidas alheias
Compartilhar som e cervejas
Que beleza sentar na calçada
Desta via pouco movimentada
Te escutar falar da amada
Ou qualquer coisa pra dar risada
Que beleza tragar este cigarro
Depois deste blues improvisado
Que mesmo sem sentido nem rima
Pra mim é obra prima
Que beleza escutar este violão, esta gaita
Essas vozes, batuques e palmas
Este chocalho que me quebra o galho
Já que não toco instrumento, mas conheço o tempo
Que beleza esta noite gelada
Esta noite honesta e largada
Estas vidas despreocupadas
Que se cruzam, curtem e partem
Que pena que se esqueceram de marcar
Outro lugar e hora pra se encontrar
Agora já é tarde, só resta sonhar
Com aquela bela noite sob o luar
Tropeçar nestas lajotas
Cair nessas vidas alheias
Compartilhar som e cervejas
Que beleza sentar na calçada
Desta via pouco movimentada
Te escutar falar da amada
Ou qualquer coisa pra dar risada
Que beleza tragar este cigarro
Depois deste blues improvisado
Que mesmo sem sentido nem rima
Pra mim é obra prima
Que beleza escutar este violão, esta gaita
Essas vozes, batuques e palmas
Este chocalho que me quebra o galho
Já que não toco instrumento, mas conheço o tempo
Que beleza esta noite gelada
Esta noite honesta e largada
Estas vidas despreocupadas
Que se cruzam, curtem e partem
Que pena que se esqueceram de marcar
Outro lugar e hora pra se encontrar
Agora já é tarde, só resta sonhar
Com aquela bela noite sob o luar
terça-feira, 21 de julho de 2009
Por que o ser humano pós-moderno encontra-se tão frequentemente imerso em tristeza? Será realmente uma característica exclusivamente pós-moderna? Talvez apenas surgiu uma nova roupagem para esta sensação inerente à consciência.
A felicidade, como a fantasiamos, se daria pela satisfação dos desejos do ego, pela conquista das liberdades individuais. Que em sua maioría tornam-se impossíveis devido à organização da vida em sociedade. Das normas, regulamentações e principalmente do respeito. Assim nos limitamos.
Para substituir as ansias instintivas/animalescas, criamos novos conceitos de realização e consequente felicidade. Todas associadas à máquina social, ao reconhecimento, falsas em sua essência, essenciais à manutenção da sociedade.
Se neste ambito é impossível vislumbrar saída (estamos presos à sociedade), me parece que devemos buscar a satisfação na simplicidade, não negar o impulso. Como me aconteceu neste final de semana, dar um abraço ébrio numa pessoa desconhecida que surgiu aleatóriamente e ocupou alguns longos instantes da minha vida. Depois rir-se disso sem se preocupar com o que pudesse ter parecido, sabendo apenas que foi honesto e verdadeiro.
Me disseram que felicidade não é felicidade se não for compartilhada, realmente, não há melhor maneira de se sentir feliz do que fazer outros felizes, há, aqui estou eu novamente, no egoísmo do altruísmo. Mas desta vez eu consegui me enganar muito bem, acho que aprendi esta mentira como verdade, e ainda acredito nela.
A felicidade, como a fantasiamos, se daria pela satisfação dos desejos do ego, pela conquista das liberdades individuais. Que em sua maioría tornam-se impossíveis devido à organização da vida em sociedade. Das normas, regulamentações e principalmente do respeito. Assim nos limitamos.
Para substituir as ansias instintivas/animalescas, criamos novos conceitos de realização e consequente felicidade. Todas associadas à máquina social, ao reconhecimento, falsas em sua essência, essenciais à manutenção da sociedade.
Se neste ambito é impossível vislumbrar saída (estamos presos à sociedade), me parece que devemos buscar a satisfação na simplicidade, não negar o impulso. Como me aconteceu neste final de semana, dar um abraço ébrio numa pessoa desconhecida que surgiu aleatóriamente e ocupou alguns longos instantes da minha vida. Depois rir-se disso sem se preocupar com o que pudesse ter parecido, sabendo apenas que foi honesto e verdadeiro.
Me disseram que felicidade não é felicidade se não for compartilhada, realmente, não há melhor maneira de se sentir feliz do que fazer outros felizes, há, aqui estou eu novamente, no egoísmo do altruísmo. Mas desta vez eu consegui me enganar muito bem, acho que aprendi esta mentira como verdade, e ainda acredito nela.
domingo, 5 de julho de 2009
Sobre a consciência, a tristeza e o stress
Diz-se que o ignorante é mais feliz.
Não sei se é uma verdade, porém creio que ele seja menos infeliz. Normalmente associa-se a ignorância às classes sociais inferiores, parte disso deve-se ao fato das pessoas pertencentes a elas serem menos conscientes. Na condição de extrema pobreza o individuo sofre de desnutrição, o que gera uma incapacidade de pensamento elaborado, a preocupação se resume a fome. Já em classes operárias acontece a exaustão da condição física por meio do trabalho pesado. Ao final do dia a única preocupação é com o descanso.
O ser dito inteligente não sente-se satisfeito em permanecer inerte, necessita se expandir. Gasta sua energia com o intelecto. Estuda, lê, informa-se, por consequência torna-se mais consciente. Desta consciência surge inevitavelmente a tristeza. O ser percebe a condição do mundo que o cerca e de sí mesmo, a falta de coerência, a podridão, a inutilidade e a inercia. Percebe sua condição de incapacidade, sente-se como um doente que sofre uma operação sobre o efeito de uma anestesia que não lhe priva dos sentidos mas o priva da capacidade de ação, sente a navalha a lhe cortar mas não é capaz de fazer nada para parar o processo.
Daí surge o stress, ocasionado pelo peso dos problemas tanto exteriores quanto interiores. A consciência sobrecarrega o ser ao ponto do mesmo não mais suportar. Em razão da não exteriorização por meio da ação, impossível devido a massificação da ignorância, o stress se acumula até o ponto em que não é mais possível ser contido, o resultado é o colapso nervoso. Sem motivo aparente o ser explode, em raiva, carência e insanidade.
Excluíndo-se o suicídio a solução seríam doses ocasionais de alienação, de Soma. Infelizmente após o efeito a consciência retorna, ainda mais forte, o próprio Soma torna-se ineficaz. O ser consciente não consegue enganar-se.
Parece que a inteligência, resultado da evolução, tornou-se conflitante com a própria evolução. Talvez a inteligência, da forma que a apresento, não seja realmente inteligência, pelo menos no ponto de vista evolutivo. Quanto mais consciênte torna-se o ser, mais ele percebe como é imbecil e limitado.
Minha cabeça não pára de girar e se remoer. Tudo contitui um circulo vicioso, um eterno retorno, de onde me é impossível escapar.
Não sei se é uma verdade, porém creio que ele seja menos infeliz. Normalmente associa-se a ignorância às classes sociais inferiores, parte disso deve-se ao fato das pessoas pertencentes a elas serem menos conscientes. Na condição de extrema pobreza o individuo sofre de desnutrição, o que gera uma incapacidade de pensamento elaborado, a preocupação se resume a fome. Já em classes operárias acontece a exaustão da condição física por meio do trabalho pesado. Ao final do dia a única preocupação é com o descanso.
O ser dito inteligente não sente-se satisfeito em permanecer inerte, necessita se expandir. Gasta sua energia com o intelecto. Estuda, lê, informa-se, por consequência torna-se mais consciente. Desta consciência surge inevitavelmente a tristeza. O ser percebe a condição do mundo que o cerca e de sí mesmo, a falta de coerência, a podridão, a inutilidade e a inercia. Percebe sua condição de incapacidade, sente-se como um doente que sofre uma operação sobre o efeito de uma anestesia que não lhe priva dos sentidos mas o priva da capacidade de ação, sente a navalha a lhe cortar mas não é capaz de fazer nada para parar o processo.
Daí surge o stress, ocasionado pelo peso dos problemas tanto exteriores quanto interiores. A consciência sobrecarrega o ser ao ponto do mesmo não mais suportar. Em razão da não exteriorização por meio da ação, impossível devido a massificação da ignorância, o stress se acumula até o ponto em que não é mais possível ser contido, o resultado é o colapso nervoso. Sem motivo aparente o ser explode, em raiva, carência e insanidade.
Excluíndo-se o suicídio a solução seríam doses ocasionais de alienação, de Soma. Infelizmente após o efeito a consciência retorna, ainda mais forte, o próprio Soma torna-se ineficaz. O ser consciente não consegue enganar-se.
Parece que a inteligência, resultado da evolução, tornou-se conflitante com a própria evolução. Talvez a inteligência, da forma que a apresento, não seja realmente inteligência, pelo menos no ponto de vista evolutivo. Quanto mais consciênte torna-se o ser, mais ele percebe como é imbecil e limitado.
Minha cabeça não pára de girar e se remoer. Tudo contitui um circulo vicioso, um eterno retorno, de onde me é impossível escapar.
terça-feira, 30 de junho de 2009
Medo, segregação e imobilidade
O inferno são os outros, os outros são os diferentes, os inferiores, os perigosos. Nós somos os poderosos, os dominantes, os abastados. Nós tememos os outros.
A contínua luta de classes, classes que se dividem em razão de fatores econômicos, políticos, sociais e religiosos. Luta de classes que é parte inerente do que chamamos de sociedade.
A população se espreme cada vez mais no espaço urbano, empulera-se em edificios enormes. Aperta-se em espaços reduzidos. Aninha-se em seus buracos e não os deixa enquanto não houver necessidade, é muito perigoso lá fora.
Quem tem chance escapa, deixa de viver em uma toca elevada para se guarnecer dentro de uma fortaleza coletiva. Criam seu mundinho particular onde não há violência nem inconvenientes. Vindos do outro lado do muro ou do noticiário, ecos de tiros e gritos.
Os muros antes invisíveis, porém bem conhecidos, tornam-se físicos. Nós tememomos os outros, então nada mais lógico do que nos trancarmos em prisões particulares. Do conforto de nossa cela, esbravejamos cegos contra o muro de Israel / Palestina ou dos EUA / México.
Aos ecos de tiros somam-se agora o de explosões, mas que se foda, aqui dentro está confortável. Espere, que sangue é esse que escorre rua adentro? Vai nos contagiar! Que absurdo, tomemos uma providência. Assembléia, votação. A solução? Brutamontes vestidos de preto com adoráveis caveiras sinistras à adornar seus quepes.
Mudar por que? Se tem por quê não tem como. E assim a máquina vai girando. Dinheiro, é tudo por dinheiro.
A contínua luta de classes, classes que se dividem em razão de fatores econômicos, políticos, sociais e religiosos. Luta de classes que é parte inerente do que chamamos de sociedade.
A população se espreme cada vez mais no espaço urbano, empulera-se em edificios enormes. Aperta-se em espaços reduzidos. Aninha-se em seus buracos e não os deixa enquanto não houver necessidade, é muito perigoso lá fora.
Quem tem chance escapa, deixa de viver em uma toca elevada para se guarnecer dentro de uma fortaleza coletiva. Criam seu mundinho particular onde não há violência nem inconvenientes. Vindos do outro lado do muro ou do noticiário, ecos de tiros e gritos.
Os muros antes invisíveis, porém bem conhecidos, tornam-se físicos. Nós tememomos os outros, então nada mais lógico do que nos trancarmos em prisões particulares. Do conforto de nossa cela, esbravejamos cegos contra o muro de Israel / Palestina ou dos EUA / México.
Aos ecos de tiros somam-se agora o de explosões, mas que se foda, aqui dentro está confortável. Espere, que sangue é esse que escorre rua adentro? Vai nos contagiar! Que absurdo, tomemos uma providência. Assembléia, votação. A solução? Brutamontes vestidos de preto com adoráveis caveiras sinistras à adornar seus quepes.
Mudar por que? Se tem por quê não tem como. E assim a máquina vai girando. Dinheiro, é tudo por dinheiro.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Quem somos nós?
Esta extensão do ocidente, resultado do espírito aventureiro, da exploração, da miscigenação. Somos, europeus, africanos, asiáticos, índios...
Conformados religiosos? Religiosos conformados?
Originais? Ou moldados à matriz dos ideais estrangeiros?
Sob uma bandeira nacional, se extende uma massa desigual.
Quem sou eu entre nós?
Viajante das idéias, das conversas, da música. Construíndo e destruíndo o ser, em busca de uma identidade própria, singular. Rejeitando os hinos e as ideologias. Buscando uma vida aprazível.
O nós se faz necessário, na aprovação e no questionamento, o nós também sou eu.
Nós é ao mesmo tempo o mundo e a sala. E eu, estou inserido nos dois.
Esta extensão do ocidente, resultado do espírito aventureiro, da exploração, da miscigenação. Somos, europeus, africanos, asiáticos, índios...
Conformados religiosos? Religiosos conformados?
Originais? Ou moldados à matriz dos ideais estrangeiros?
Sob uma bandeira nacional, se extende uma massa desigual.
Quem sou eu entre nós?
Viajante das idéias, das conversas, da música. Construíndo e destruíndo o ser, em busca de uma identidade própria, singular. Rejeitando os hinos e as ideologias. Buscando uma vida aprazível.
O nós se faz necessário, na aprovação e no questionamento, o nós também sou eu.
Nós é ao mesmo tempo o mundo e a sala. E eu, estou inserido nos dois.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
O lamento desesperado de aviões apressados
As linhas que se cruzam no tempo e no espaço
Destinos ignorados pela rotina impensada
Acaso que guia vidas sem compasso
Quem foi que se perdeu?
Deixou de existir no pensamento
Já faz tanto tempo
Nem na memória o alento
Amnésia? Desatenção
A vida sem coração
Não pulsa
Não sente
Espera dormente
Por algo que lhe aqueça
Passivo, idiota
Não merece nem esmola
Levanta, corre, explode
Que por vias abandonadas
O sangue há de fluir
As linhas que se cruzam no tempo e no espaço
Destinos ignorados pela rotina impensada
Acaso que guia vidas sem compasso
Quem foi que se perdeu?
Deixou de existir no pensamento
Já faz tanto tempo
Nem na memória o alento
Amnésia? Desatenção
A vida sem coração
Não pulsa
Não sente
Espera dormente
Por algo que lhe aqueça
Passivo, idiota
Não merece nem esmola
Levanta, corre, explode
Que por vias abandonadas
O sangue há de fluir
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Saber
Quanto mais se sabe
Mais se sabe
Que não se sabe de nada
Sabe?
Não sabe do que eu sei
Que eu sei que sabia
Que eu sei que não sei mais
Agora só sei que quero saber
Pra saber que nada se sabe
Mas que preciso saber
Só pra poder me entreter
Mais se sabe
Que não se sabe de nada
Sabe?
Não sabe do que eu sei
Que eu sei que sabia
Que eu sei que não sei mais
Agora só sei que quero saber
Pra saber que nada se sabe
Mas que preciso saber
Só pra poder me entreter
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Novamente olhos ao chão e fumaça à boca, dessa vez estático. Observava os ladrilhos e as folhas secas abaixo dos meus pés. Gradativamente fui me aconchegando ao ambiente, a fumaça, sempre presente, dava a atmosfera contemplativa, e eu fitava apenas o pequeno espaço abaixo de mim.
Suavemente, através dos olhos embaçados, percebi uma tímida movimentação. Pequenos pontos pretos piscavam aqui e lá aleatoriamente. Forcei um pouco a visão para voltar ao mundo real das imagens e constatei sem surpresa que formigas seguiam seu caminho alheias à minha presença.
Seres mínimos, orientadas pelo rastro deixado por outros de sua espécie, para mim pareciam estupidamente perdidas. Carregando fardos enormes sem realmente saber o por quê. Imaginei uma interação no seu mundo particular, bagunçar sua orientação esfregando tabaco em seu caminho. Com certeza tal fenômeno sería catastrófico em seu pequeno mundo. Vagariam tontas em busca da via perdida, sem largar o seu fardo, a espera que uma semelhante lhes conduzisse na direção correta. Completariam sua tarefa e a repetiriam novamente.
Que seres idiotas, pensei. De um lado para o outro sem parar, sem pensar, sempre a ignorar e continuar, que vida miserável! Num suspiro de piedade levantei os olhos e observei o meu redor, vi passando por mim homens, de um lado para o outro, sem parar, sem pensar, sempre a ignorar e continuar.
Suavemente, através dos olhos embaçados, percebi uma tímida movimentação. Pequenos pontos pretos piscavam aqui e lá aleatoriamente. Forcei um pouco a visão para voltar ao mundo real das imagens e constatei sem surpresa que formigas seguiam seu caminho alheias à minha presença.
Seres mínimos, orientadas pelo rastro deixado por outros de sua espécie, para mim pareciam estupidamente perdidas. Carregando fardos enormes sem realmente saber o por quê. Imaginei uma interação no seu mundo particular, bagunçar sua orientação esfregando tabaco em seu caminho. Com certeza tal fenômeno sería catastrófico em seu pequeno mundo. Vagariam tontas em busca da via perdida, sem largar o seu fardo, a espera que uma semelhante lhes conduzisse na direção correta. Completariam sua tarefa e a repetiriam novamente.
Que seres idiotas, pensei. De um lado para o outro sem parar, sem pensar, sempre a ignorar e continuar, que vida miserável! Num suspiro de piedade levantei os olhos e observei o meu redor, vi passando por mim homens, de um lado para o outro, sem parar, sem pensar, sempre a ignorar e continuar.
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